Cometa interestelar 3I/ATLAS muda de cor e brilha em verde enquanto se aproxima da Terra

As imagens mais recentes do cometa 3I/ATLAS, capturadas pelo observatório Gemini North no vulcão Mauna Kea, no Havaí, em 26 de novembro de 2025, revelam uma transformação surpreendente: o objeto, antes avermelhado, agora emite um brilho verde intenso. Essa mudança de cor — rara e inesperada — ocorreu após sua passagem mais próxima do Sol, em 30 de outubro de 2025, quando estava a apenas 1,4 unidade astronômica (210 milhões de km) da estrela. O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já observado em nosso Sistema Solar, depois de 1I/'Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019). E, diferente dos anteriores, ele não apenas passa rápido — ele brilha, emite raios-X e parece mais ativo, mais velho e provavelmente maior.

De vermelho para verde: o que está mudando no núcleo?

Antes da aproximação solar, o cometa exibia um tom avermelhado típico de corpos antigos e frios, cobertos por uma camada de poeira cósmica. Mas depois de passar pelo periólio, sua atmosfera — ou coma — ganhou um brilho esverdeado. Isso não é casual. Cientistas acreditam que o calor do Sol liberou moléculas de cianeto e dióxido de carbono congelados no núcleo, que, ao serem expostos à radiação solar, emitem luz verde característica. "É como se o cometa estivesse se despojando de uma casca antiga para revelar algo mais jovem, mais quente por dentro", explica Thomas Statler, cientista-chefe de corpos pequenos do Sistema Solar na NASA. O núcleo, ainda invisível, está escondido sob uma nuvem de poeira e gás, mas o padrão de emissão de luz sugere que ele é muito mais ativo do que 1I/'Oumuamua — que parecia um asteroide — ou 2I/Borisov, que, embora fosse um cometa, não mostrou tanta energia.

Um rastro de raios-X que desafia explicações

A maior surpresa veio do observatório XRISM, que, entre 26 e 28 de novembro de 2025, registrou 17 horas de exposição de raios-X emitidos pelo cometa. O que foi encontrado? Um brilho tênue, mas extenso — cerca de 400 mil quilômetros de diâmetro — com assinaturas claras de carbono, nitrogênio e oxigênio. "Esses elementos não vêm da atmosfera da Terra nem do fundo cósmico. Eles estão vindo do próprio cometa", afirma uma equipe internacional de pesquisadores. Isso é inédito. Nenhum cometa do Sistema Solar já mostrou raios-X tão fortes e com essa composição química. A hipótese mais plausível: o 3I/ATLAS carrega materiais formados em ambientes muito diferentes dos que conhecemos — talvez em torno de outra estrela, há bilhões de anos.

Passagem por Marte e a reação da comunidade científica

Em novembro de 2025, o cometa passou a apenas 29 milhões de quilômetros de Marte — tão perto que os satélites da Agência Espacial Europeia e as sondas da NASA em órbita do planeta vermelho o observaram como se fosse um visitante de última hora. O Virtual Telescope Project, na Itália, capturou imagens do cometa como uma pequena faixa luminosa cortando o céu noturno. Enquanto isso, o Hubble e o James Webb registraram dados espectrais em julho e agosto, enquanto o SPHEREx mapeou sua composição em infravermelho. "É um cometa. Ele se comporta como um cometa. Todos os dados indicam isso", afirmou Amit Kshatriya, vice-administrador da NASA, durante uma apresentação pública. Mas a pergunta que persiste é: de onde ele veio? E por que está tão ativo?

Visível a olho nu? Não — mas com binóculos, sim

Apesar de sua magnitude, o 3I/ATLAS não será visível a olho nu. Mas, entre o final de novembro e o meio de dezembro de 2025, ele pode ser avistado antes do amanhecer, na direção leste, com binóculos ou pequenos telescópios. Seu ponto mais próximo da Terra — 1,8 unidade astronômica (270 milhões de km) — ocorrerá em 15 de dezembro de 2025. Nada de risco: a NASA confirmou que o objeto não representa qualquer ameaça. "É um visitante silencioso, mas extremamente informativo", diz Statler. "Nós nunca tivemos um objeto de fora do Sistema Solar tão brilhante e tão ativo durante sua passagem."

Por que isso importa para todos nós?

Os cometas interestelares são como mensagens em garrafas lançadas no oceano cósmico. Eles carregam química de outros mundos, de outros sistemas estelares. O 3I/ATLAS pode nos dizer como os planetas se formam em outros lugares — e se os ingredientes da vida são comuns no universo. "Se encontramos carbono e oxigênio em um cometa que nasceu longe de nós, isso sugere que os blocos básicos da química orgânica podem ser universais", explica a astroquímica Dra. Lívia Mendes, da Universidade de São Paulo. Isso não prova vida fora da Terra — mas mostra que os elementos necessários para ela podem ser mais comuns do que imaginamos.

O que vem a seguir?

Em janeiro de 2026, o 3I/ATLAS começará a se afastar rapidamente, tornando-se cada vez mais fraco. Mas os dados coletados ainda serão analisados por anos. A equipe do ATLAS já está revisando arquivos de telescópios anteriores a julho de 2025, tentando encontrar pistas de sua trajetória original. E a NASA já planeja uma nova missão de observação — não para ir até ele (impossível com a tecnologia atual), mas para preparar os instrumentos para o próximo visitante. "O próximo pode ser ainda mais estranho", diz Statler. "E nós precisamos estar prontos."

Frequently Asked Questions

Por que o cometa 3I/ATLAS mudou de cor?

A mudança de vermelho para verde ocorreu após sua passagem próxima ao Sol, em outubro de 2025. O calor liberou moléculas congeladas de cianeto e dióxido de carbono no núcleo, que, ao serem irradiadas pela luz solar, emitem um brilho esverdeado característico. Esse fenômeno é comum em cometas do Sistema Solar, mas nunca foi observado com tanta intensidade em um objeto interestelar.

O que os raios-X detectados significam?

Os raios-X detectados pelo XRISM, com assinaturas de carbono, nitrogênio e oxigênio, são inéditos em cometas interestelares. Eles não vêm da atmosfera da Terra nem do fundo cósmico, mas do próprio cometa. Isso sugere que seu núcleo contém materiais formados em ambientes quentes e dinâmicos — possivelmente em outro sistema estelar — e que sua química é mais complexa do que a dos cometas que conhecemos.

O cometa representa algum risco para a Terra?

Não. O 3I/ATLAS passará a 270 milhões de quilômetros da Terra em 15 de dezembro de 2025 — mais de 700 vezes a distância da Lua. Nenhum fragmento ou efeito gravitacional representa perigo. A NASA confirmou que ele segue uma trajetória previsível e inofensiva.

Como posso observar o cometa 3I/ATLAS?

Entre o final de novembro e meados de dezembro de 2025, o cometa pode ser visto antes do amanhecer, na direção leste, com binóculos ou telescópios amadores. Ele não é visível a olho nu, mas sua luminosidade cresceu após a passagem solar, tornando-o mais fácil de localizar em céus escuros e sem poluição luminosa.

Por que esse cometa é mais importante que os anteriores?

Enquanto 1I/'Oumuamua parecia um asteroide e 2I/Borisov era um cometa comum, o 3I/ATLAS é ativo, brilhante, emite raios-X e tem uma composição química incomum. Ele é o primeiro objeto interestelar que se comporta como um cometa de verdade — e com características que desafiam modelos atuais de formação planetária.

O que a NASA vai fazer agora?

A NASA e parceiros internacionais estão analisando os dados coletados por Hubble, Webb, SPHEREx e XRISM para entender a origem química do cometa. Além disso, estão revisando arquivos históricos para tentar rastrear sua trajetória antes de 2025. O próximo passo é desenvolver novos instrumentos capazes de detectar e caracterizar o próximo visitante interestelar — que, segundo cientistas, pode vir a qualquer momento.

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